segunda-feira, 21 de abril de 2008

Ditadura do saudável.

Tenho notado que cada vez mais os produtos alimentícios tem virado "light", "diet", sem gordura trans, etc.
É compreensível que surjam tais produtos, o que eu não entendo é que, em muitos casos, estes produtos substituem os antigos.
Eu gostava tanto de um determinado salgadinho que eu raramente comia. Agora ele tem "0% de gordura trans". Não é a mesma coisa. Não gosto mais tanto.
Ok, agora ele não entope minhas artérias ou sei lá o que a gordura trans faça. Mas eu comia tão raramente que dificilmente me causaria algum problema real. E agora não é mais tão bom.
O mesmo vem acontecendo numa grande variedade de produtos. Epedemia.
Cada vez menos nos é dada a possibilidade de escolher, de decidir por nós mesmos. Cada vez mais nos é empurrado o que é "bom". Sinceramente sinto como se tivessem me tratando feito retardado.
Que mal faria se existisse o que faz "mal" e o que faz "bem" e cada um escolhesse o que bem entender?
Ora se ainda podemos comprar cigarro, álcool, veículos velozes, (ainda bem, ainda bem, ainda bem) se inda podemos ver um programa "retardalizante" como novelas de intriguinhas ou o maldito bbb, se ainda podemos ouvir musicas que certamente prejudicam futuras sinapses, se ainda podemos ficar a 20cm da caixa de som em um show, etc.
Ainda podemos fazer tantas coisas que nos fazem mal. Podemos escolher se queremos fazê-las ou não.
Então qual o motivo desta sistematização culinária. Desta obrigatoriedade ditatorial, assim como o cinto de segurança.
Quem disse que todos querem ser saudáveis?
E se o prazer da vida de alguém for comer porcaria? Ok, vidinha medíocre, mas e se for a realização da pessoa?
E se alguém que adora comida bem gordurosa estiver com os dias contados? Não poderá aproveitar seus últimos instantes de vida comendo algo que lhe dá prazer. Este algo não existe mais.
Eu, por exemplo, gosto de doces. Se em algum momento eu estiver sendo amputado por causa da doença e com uma expectativa de uma semana de vida, digamos, eu certamente faria as últimas coisas que desejo e terminaria minha vida me empanturrando de doce.
Cada situação é uma situação e a liberdade de escolha deveria sempre existir na minha opinião.





Postado por Ricardo Ceratti.

Um comentário:

Caio C. disse...

Lembrando que alimentos com até 2% de gordura trans podem ser comercializados sob o rótulo de 'Sem gordura trans'.