domingo, 13 de abril de 2008

Comemoração.

Pode me chamar de pessimista, mas não consigo ver lado positivo nessas comemorações "corta-pulso" que temos.
Aniversário tudo bem.
Ano novo até vai.
Natal. Sério. Natal deveria ser somente para crentes, não acham? Senão podemos começar a celebrar todas comemorações de todas religiões.
Dia dos namorados. Pra...?
Dia do amigo. Serve o falso amigo também?
Dia do beijo. Hem? Não tem mais o que inventar?
Claro que podemos dizer que comemorar é sempre bom. Mas a realidade destas comemoração consumistas (no geral, ao menos) é que elas trazem algo inverso ao sentimento de comemorar.
Todos se mostrando super felizes e satisfeitos com suas vidas, enquanto tanta gente (acredito que mais pessoas do que do grupo dos satisfeitos) não tem muito o que comemorar, não estando lá bem satisfeitos.
Ano novo, legal, vamos lembrar tudo de bom que aconteceu neste ano que passou.
Dia dos namorados, legal, vamos beijar a pessoa amada.
Num país tão desigual como o nosso, com tantos escândalos, corrupção, crimes, violência, etc. Quais as chances de alguém aqui pesar o ano inteiro e o resultado sair positivo?
Com uma cultura tão individualista e de sacanear o próximo como a que está vigente não somente em nosso país, quantas pessoas estão namorando? E destas, quantas estão realmente felizes com a pessoa com a qual namoram?
Sinceramente estas datas (no geral) me parecem mais "des-comemorativas".
Não que atualmente me aflijam, ao contrário de seu efeito no passado. Mas assim me parece, pesando mais o que eu posso constatar das pessoas que me são razoavelmente próximas. Próximas o suficiente apenas para não precisarem da máscara de "5, 4, 3, 2, 1 ÊÊÊÊÊbaaaa! Feliz ano noooooovooooooooooooo!". Pára. Ninguém é tão feliz assim.





Postado por Ricardo Ceratti.

5 comentários:

Caio Ceratt disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Caio Ceratt disse...

'As comemorações são o ópio do povo'

PS: Vou ler os anteriores durante a minha segunda-feira.

Até, primo.

Caio C. disse...

Queremos atualizações.

Produza, Ricardo, produza.

Fabiana disse...

ENTÃO. Tomei vergonha na cara e resolvi ler o DS.
Eu gosto de Natal e de Ano Novo. é legal aquela comida toda e as pessoas se esforçando para serem algo novo.
Dia dos namorados é invenção de homem, para ter mais data especial para conseguir o que quer.
dia do amigo, deve ser coisa de gente carente, e dia do beijo, de encalhado.

não acho ruim comemorar isso tudo. não tenho folego. mas não acho ruim. esperança é uma coisa boa de se ter. não acho tão ruim o povo ter uns dias de ópio.
acho muito ruim, a alienação nossa de cada dia.

The Drunken Scientist disse...

Uma coisa é se esforçar para mudar. Outra coisa é mostrar para o mundo como são felizes com suas vidas. Posso ser pessimista mas isso não parece sincero.
Dia dos namorados é invenção de homem para conseguir o que quer? O que quer seria lembrar de mais uma data ou ser incomodado? Ou ter outra data para gastar seu tempo e dinheiro comprando algum presente? Ah, não! É uma data especial, totalmente arbitrária, que causa a terceira guerra mundial se o cara a escolher para fazer algo com os amigos ou não estiver com saco de estar com a "muié".
Eu acho retardado que as pessoas escolham um dia para dizer "feliz tal coisa" para todas as pessoas mesmo que mal fale com tal pessoa ou não vá com a cara da pessoa. É só para ser sociável, para manter as aparências. Disso já basta cumprimentar e perguntar "tudo bem?" para pessoas que não fazemos sequer questão que existam.
Agora... alienação de cada dia eu concordo. É foda isso. Essa nossa forma de viver nos deixa "indo com a correnteza" eternamente. É um estado de dormência. Dormência de ambição, de lazer, de esforço, de lutar pelo que se quer. Ora, de sequer pensar no que se quer. Cada dia somos mais máquinas cumprindo nossa rotina.
Eu sinceramente acho um tanto quanto ridiculo termos de organizar o que gostamos de fazer, o que nos dá prazer, etc. em torno de nossa rotina laboral. Rotina E fôlego obviamente.
Fazemos umas poucas coisas para nos aliviar do desgosto (ou apenas falta de satisfação plena) de nossa rotina. O que acontece? Um tempo depois olhamos para trás e nos damos conta: "Minha vida passou e nem reparei".
Esse ciclo vicioso de trabalha para ter dinheiro para gastar em coisas para se aliviar do trabalho não me parece lá muito bom. Proponho inventarmos algo melhor! =D