sexta-feira, 17 de abril de 2009

Pombas...

Cada coisa que me faz pensar...
Esta tarde, enquanto eu lanchava eu observava as pombas.
Pensei "que bicho inútil! Vive de comer o dia inteiro e dormir!". Logo comecei a tentar catalogar o que diabos uma pomba faz.
Lembrei que elas fazem uns barulhos estranhos, ficam em cima dos prédios lagarteando, certamente se reproduzem e... vivem constantemente atentas aos seus predadores.
Nisso me dei conta do meu pensamento automático. Por que "bicho inútil"?
Fiquei pensando em como eram os humanos antes das cidades.
Acredito que éramos semelhantes as pombas. As maiores preocupações eram comer, dormir e não ser vítma de algum predador, no caso, animais.
Eram poucos, esparsos, ariscos, nômades...
Viviam de se alimentar da natureza, do que já existia. Viviam de encontrar um lugar razoavelmente seguro no novo local perto da comida. Viviam de fugir de alguns predadores, produzir algum tipo de arma para lutar contra outros predadores.
Eis que perceberam que poderiam criar uma forma de defesa contra a maioria dos predadores: cidades. As cidades poderiam ter muralhas para deixar do lado de fora quem possa fazer mal. Podiam ter plantações para não precisarem estar sempre de mudança.
Hummm mais eficáz colocar várias pessoas numa mesma cidade, para precisarem construir menos muralhas.
E agora? Razoavelmente protegidos e com uma certa segurança alimentar, o que fazer com o tempo livre?
Ah, o ser humano não se dá ao luxo de "desperdiçar" tempo livre!
Começam a se reproduzir. Começam a inventar moda. Começa a ganância. Começam a fazer novas armas... para lutar contra outras cidades, contra outros humanos.
Qual a necessidade?
Nisso eu tive uma idéia louca.
Se ensinarmos as pombas a criarem um ambiente seguro para elas mesmas, a cultivarem de forma sustentável seu alimento eliminando a necessidade de serem nômades. Elas vão ficar entediadas como os humanos? Elas vão se reproduzir loucamente? Vão inventar moda? Vão vivar gananciosas? Vão aprender formas de serem mais violentamente eficazes? Vão atacar outras "cidades-pomba"? Será que cairiam neste nosso ciclo vicioso? Nesta vidinha de crescer populacionalmente mais do que dão conta? De se colocarem em linhas de montagem? De querer saquear umas as outras? De perder o sentido do que fazem por um "bem maior"? Será que virariam máquinas de propagar o... nem sabem bem o que, mas propagam! Será?
Não consigo entender a necessidade humana de ocupar cada segundo de sua vida, de se propagar epidemicamente, de invejar o que é do outro, de querer controlar os outros, de querer saber o que é melhor para o outro, de criar regrinhas e ficar vigiando os outros com o prazer sádico de apontar quando alguém erra, quando alguém não faz o que é esperado. Esperado e totalmente artificial.
Tenho certeza que o "bicho inútil" é mais feliz que o mais feliz da minha espécie. Ou será que pombas também fofocam? Também ficam fazendo intriguinhas? Também ficam desperdiçando suas vidas com banalidades que foram transformadas em valores?
Cada forma de existir, de organização social, possui suas vantagens e desvantagens. Nos cabe analisar se esta nos é aceitável. Nos cabe lutar para que possamos, ao menos, escolher.




Postado por Ricardo Ceratti.