quarta-feira, 15 de abril de 2009

Cercadinho.

Ainda sobre o Fórum da Liberdade, mas dessa vez tendo tido a decência de anotar o nome de quem trouxe a idéia, podendo dar os devidos créditos.
Durante o discurso de Denis Rosenfield surgiu uma crítica ao Estado decidir sobre a vida do cidadão.
Realmente permitimos ao Estado nos vestir com grilhões, sejam eles visíveis ou não.
De forma visível temos as leis penais, onde fazer determina ação gera uma determinada punição, seja ela multa, serviço comunitário, retenção, o que for.
O problema, ao meu ver são os grilhões invisíveis. Quer dizer, menos visíveis.
O Estado não lhe diz, por exemplo, que não podemos sair de noite e beber.
Porém temos uma lei seca realmente rígida (sem entrar no mérito se é adequada ou não ou se é fiscalizada apropriadamente ou não), associados com uma dificuldade de lomoção em transportes públicos durante a madrugada (eu, por exemplo, só posso voltar para casa de ônibus após 5:40h), preços salgados de táxi, altos impostos tanto para a bebida quanto para o comércio, que são repassados para o cidadão através de uma garrafade cerveja no bar custar algo como 4 reais e dentro de festa custar ainda mais caro.
Do outro "front" temos um dinheiro, um salário cada vez mais desvalorizado, o que não permite que nos demos ao luxo de tais gastos, pelo menos não em condições de não-raridade.
Cada vez se trabalha mais, se tem menos tempo, se ganha menos, se paga mais caro...
O álcool é só um exemplo de como, através de medidas secundárias, o Estado acaba realmente nos dizendo o que fazer mesmo não proibindo.
O mesmo vale para o cigarro com seus impostos e proibições. O que se pode dizer da França neste sentido então?
Não estou aqui apoiando ou criticando que se beba ou se fume, apenas exemplificando.
O palestrante anteriormente citado falou sobre um projeto de que todos carros saiam de fábrica equipados com GPS e que acarretaria um acréscimo de, aproximadamente, 700 reais no custo de um carro novo. E com qual objetivo?
O mais trágico é que, sem pararmos para pensar não vemos como as coisas estão interligadas. Pensamos que "é só uma lei" daqui e outra dali. Porém, com uma visão mais abrangente, como é de quem está "lá em cima", é possível ver claramente que tais leis não passam de cercadinhos aqui e ali para conduzir o gado, ou grande parte dele, a tomar as atitudes que se considera úteis. E para aqueles que não seguem o cercadinho existem punições, também indiretas, como multas e preços abusivos, coisas que, de um jeito ou de outro acabam beneficiando o Estado de qualquer forma.
Avaliando com uma visão abrangente e pensando nas práticas não só no agora como, também, nas suas conseqüências futuras, é possível ver claramente que nosso papel não passa de ser o de animal esperando ser domesticado.
Gado.



Postado por Ricardo Ceratti.