terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Para onde vamos?

Em alguns momentos de nossas vidas nos focamos exclusivamente no presente e acabamos esquecendo que as ações de agora certamente trarão conseqüências, sejam boas ouas más, no futuro.
Não estou insinuando que seja mais interessante viver de olho no futuro do que no presente. Jamais! Assim como certamente não vejo utilidade alguma a se prender no passado para algo mais do que tirar lições ou ter boas memórias para lembrar.
Estou dizendo que muitas vezes o presente pode exigir muito da gente, nos levando a despender grande energia para o "vencermos". Até aí tudo bem. O problema vem quando nos emocionamos com essa "luta", quanto estamos vencendo e ficamos sedentos por "sangue".
São casos em que gratificações instantâneas são priorizadas de forma pouco refletida. Casos em que não pensamos no que nossas ações de hoje causarão no amanhã.
Alguns exemplos para ilustrar o que eu quero dizer:
Podemos pensar que sai em conta pagar 50 reais a hora de uma babá para cuidar de nossa prole se, neste mesmo tempo estivermos fazendo uma hora-extra que nos renderá 200 reais. Pode ser inevitável pensar que é um lucro de 150 reais. Assim como podemos estar nos deparando com uma situação onde esse dinheiro extra será vital. O problema é se isso vira um costume. Então lucraremos um imensa quantidade de "150 reais", abrindo mão de um bom relacionamento com nossos filhos, que, no futuro, terão de acertar essa conta por terem crescido num ambiente sem os pais, possivelmente com falta de carinho e atenção, etc.
E então eu pergunto, vale a pena?
Ou um exemplo mais infantilizado. Um rapaz pode achar que está num tremendo lucro por trair sua atual namorada com metade da cidade. Porém ele certamente pagará o preço disso quando estiver solteiro, com uma mentalidade diferente, buscando uma moça decente para ter uma vida fiel e aconhegante. Provavelmente sua reputação terá se espalhado de uma forma que ele acertará suas contas.
Ou um exemplo material. Podemos nos deixar vencer pela tentação e comprar alguma coisa que gostamos e que não nos é tão urgente logo que ela é lançada, mesmo sabendo que, em poucos meses este objeto de desejo custará muito menos. Podemos pensar que não irá fazer falta esse dinheiro, por exemplo. E, se algum tempo depois passarmos por uma urgência e o tal fizer falta? Ou se surgir no mês seguinte, na nossa frente uma oportunidade única e não termos como aproveitar por faltar justamente aquela quantia que exageramos no mês anterior?
Nosso modernismo nos tornou tão fácil pensarmos somente no presente.
Tão fácil esquecer que existe um amanhã.
Tão tentador viver despreocupadamente o presente.
Talvez um dos maiores desafios seja saber pesar o agora com o depois.
Mas, o maior certamente é o de pararmos um segundo para pensar, vermos o que estamos fazendo e onde nosso caminho está nos levando. Não permitir que a correnteza nos leve cegamente para onde bem desejar.


"Our heads all full of bother
We can't look, we can't stop
We can't think, we can't stop
Because we're stuck in our own paths
And it's the way it always lasts
But I need something more from you"

(Algo como:
"Nossas cabeças cheias de preocupações
Não podemos olhar, não podemos parar
Não podemos pensar, não podemos parar
Por que estamos presos em nossos próprios caminhos
E é o jeito que sempre dura
Mas eu preciso algo mais de você")
Nada Surf - Paper Boats





Postado por Ricardo Ceratti.