domingo, 28 de março de 2010

Inteligência e seus tropeços.

Como é a vida de uma pessoa inteligente?
Desde que nasce é diferente. Aprende com mais facilidade e anseia por aprender mais e mais.
Acaba descobrindo e aprendendo antes das outras crianças de sua idade.
Antes dos seus irmãos, primos, colegas.
Isso muitas vezes acaba gerando inveja.
Uma criança inteligente pode acabar sendo sabotada pelas crianças "normais". Ou pode ser excluída do grupo de amizades.
Os pais das outras crianças tendem a alimentar tais comportamentos, direta ou indiretamente. E então, desde cedo já começa o processo de buscar pontos fracos ou explicações desvalorizadoras para explicar o sucesso daquelas criança em particular que entrou mais cedo no colégio e entende tudo antes das outras.
Muitas vezes os professores se encontram completamente sem saber como lidar com tais indivíduos. Acostumados a dar sempre a mesma aula sem grandes surpresas e de ter que lidar com muito mais coisas que uma pessoa sozinha teria como dar conta, acabam se incomodando quando um aluno "quer saber mais que eles", faz de outro jeito, tem suas próprias idéias, ou mesmo terminam muito rapidamente as tarefas. Alguns chegam a adquirir também a inveja e, mal resolvidos, acabam tentando sabotar a criança. Mas, mesmo que o professor não venha a ter tais sentimentos, ainda assim a ele cabe lidar com algumas dúzias de crianças ao mesmo tempo, cada uma no seu ritmo, sua velocidade de aprendizagem e, o principal, cada uma com seus sentimentos e atitudes. A falta de um melhor preparo ou de uma melhor estrutura (seja física ou institucional) acaba levando ao que chamamos de "nivelar por baixo".
E então começa o processo de emburrecimento daquela criança inteligente.
Com o passar do tempo esta criança, que provavelmente está adiantada no colégio, começa a se sentir demasiadamente cobrada. Algo normal. Toda criança vive sobre a pressão das expectativas da família, porém sobre uma criança assim a expectativa costuma ser maior. E a percepção de tal expectativa também costuma ser aumentada.
Inicia-se a busca pela perfeição, por querer agradar a todos, por querer ser o que todos esperam daquele pequeno ser que se sente perdido.
Somado a isto, os colegas vão ficando cada vez mais maldosos em suas brincadeiras, dificultando a socialização da criança justamente na época em que ela aprende como socializar. Acabam propiciando um caminho de timidez, de sentimento de não-pertença, de baixa auto-estima, de inadequação.
E, como a infância é a fase mais importante para o indivíduo conhecer quem é, desenvolver sua auto-imagem e determinar suas aptidões e fraquezas, este acaba geralmente ficando em desvantagem vitalícia, com uma marca permanente em sua mente.
E então vem a adolescência. Agora não é mais uma criança que se sente inadequada. Agora é o adolescente que se sente o ser mais desajeitado e repulsivo do universo. Enquanto todos colegas estão se relacionando, nosso (ou nossa) protagonista se sente cada vez mais distante de tudo e todos. Cada vez fazendo menos parte. Cada vez achando mais difícil de se aproximar das pessoas.
Por essa época a sociedade de maneira geral já deve ter conseguido convencê-lo de que é um nada. Por essa época geralmente surge a depressão ou algum distúrbio.
Mas segue-se em frente (infelizmente nem todos).
Faculdade, emprego, hobbies, amigos. Os "cenários" da vida vão surgindo e, de uma maneira ou de outra, as experiências vão sendo revividas.
Agora é um colega de faculdade que espalha que nosso protagonista colou. Ou uma festa com amigos na qual a pessoa por quem tinha interesse o ridicularizou. Um colega de trabalho só o vê esperando o tempo passar e começa a espalhar que não é trabalhador quando, no fundo, já terminou suas tarefas. E por aí encontramos inúmeras outras situações.
Este indivíduo vai desenvolver sua maneira de lidar com estas situações. Alguns desistem da vida, outros se encolhem em seu canto, há os que decidem optar pelas drogas, os que decidem se emburrecer, aqueles que aprendem a agir como "todo mundo age", aqueles outros que ignoram a realidade, há quem se dedique a algo com afinco e acabe sendo valorizado por sua genialidade, etc. São inúmeras formas de lidar. Infelizmente a maior parte das opções encontradas acabam sendo desadaptadas, deixando um certo vazio de quem acimentou o topo de um buraco para fingir que não há buraco.
A maioria destas pessoas acaba levando uma vida de quem se sente sozinho no mundo. Como se não fizesse parte. Como se fosse um alienígena preso neste planeta.
Raros são os que encontram uma pessoa que outra de sua "espécie". Alguém que os entenda. Alguém com quem possam ter um relacionamento genuíno. Mais raro ainda se tal relacionamento for amoroso.
As histórias dessas pessoas pode mudar aqui ou ali. As marcas deixadas podem ser um pouco mais para um lado ou para o outro. Mas de uma maneira geral a história segue basicamente este roteiro.
Vendo todas dificuldades que alguém inteligente passa, com tudo que marca sua vida e, principalmente, que dificultam sua socialização e, analisando pela Teoria da Evolução de Darwin, eu REALMENTE me espanto que ainda existam pessoas inteligentes no mundo.





Postado por Ricardo Ceratti.

Um comentário:

maybe disse...

I'm appreciate your writing style.Please keep on working hard.^^