segunda-feira, 12 de maio de 2008

A vida na década de 2000.

Ano: 2082.
Situação: Cadeira de História Humana.
Assunto: Década de 2000.
Momento: Final da aula.


O aluno 'A' comenta para o aluno 'B': "Como eles viviam daquela forma?"
'B' chocado com o conteúdo da aula só consegue balbuciar "pois é..."

Os alunos ficaram sabendo que naquela época se convivia com grande poluição. Era poluição do ar que respiravam, da água que bebiam, dos sons que ouviam, das imagens que viam. Chaminés emanando fumaça, carros correndo para todos os lados com seus barulhos, ônibus lotados de pessoas se esmagando para chegar ao seus destinos, propagandas espalhadas por todos locais que o olho pudesse passar, etc.

Como se não bastasse respirarem um ar podre, correr o risco de serem atropelados por aquelas máquinas barulhentas e serem bombardeados por propagandas, os seres daquela época deviam, na imensa maioria das vezes, atravessar cidades inteiras para irem de suas moradias para seus empregos. E tinham hora certa para chegar nestes locais!

Deviam, também, de tempos em tempos, na maioria dos locais, votar para eleger seus "representantes". Confiavam cegamente que este sistema funcionaria ou viria a funcionar, mesmo vendo seus "representantes" enriqueceram às suas custas, criarem leis que dificultariam a vida ou ainda fazer desvios de dinheiro. Não bastando criar leis, os "representantes" as descumpriam. Não bastando descumprí-las eles inventam maneiras de não serem afetados pelas devidas punições. Mas havia também aqueles que não acreditavam mais no sistema. Eles agiam quase que igualmente àqueles que acreditavam. A única diferença é que este grupo reclamava. Não se mobilizavam exatamente como o outro grupo pelo fato de gerações e gerações de "representantes", através da "propaganda" haviam conseguido embutir nestas pessoas um sentimento de incapacidade para mudar as coisas e de individualismo evasivo, conhecido na época como "não vou botar o meu na reta!".

Este povo via seus direitos e dignidade serem reduzidos pela forma de segurança que criaram e pagavam, a Polícia. Esta deveria combater outra entidade, os Bandidos, que, de certa forma, também haviam sido criados e sustentados por aquela maioria da população.

As pessoas daquela época costumavam se afastar uns dos outros. Então reclamavam de solidão. Por fim idolatravam os Canis familiaris, que eram conhecidos por "cachorros" ou simplesmente "cães". Tratava-se de animais que, no passado existiam em quantidade quase insignificante mas, por demonstrarem uma personalidade obediente, posarem lealdade e serem muito "afetivos", foram "domesticados" pelos humanos sob a falsa desculpa de que serviam para proteção. Com o passar dos anos a população destes animais se tornou imensa e passar a surgir inúmeros profissionais e lojas especializadas em facilitar que os humanos atendessem as vontades desta espécime.

Nesta época o medo da "AIDS" ou "HIV" (vírus criado pelos próprios humanos em segredo com o objetivo de reduzir drasticamente a quantidade de sexo feito pela espécie) havia reduzido e uma nova moda se estruturou como regra: o Bissexualismo. Os antepassados desta geração foram conhecidos por sua ignorância em julgar e culpabilizar as pessoas pelo fato de serem homossexuais. Com a moda do bissexualismo todas pessoas heterossexuais passaram a ser vistas como marginais na sociedade. Inclusive homossexuais eram tratados com um "pé atrás" pelos bissexuais. Era muito errado não se relacionar tanto com pessoas do mesmo sexo quanto do sexo oposto.

As pessoas serviam ideais sem lógica, arriscando suas vidas em guerras baseadas em mentiras. Mentiras estas que os "representantes" contavam para convencer seu mentalmente-castrado povo a ir para outros países com o objetivo de matar outras pessoas convencidas por outros "representantes". Matavam estas pessoas para que o representante destas desistisse de seus objetivos pessoais que ele fazia seu povo acreditar que eram objetivos coletivos.

Era uma época em que as pessoas passavam em geral 1/3 de seus dias trabalhando (além de uma outra grande parte em função de se locomover ou se alimentar para conseguir continuar trabalhando) para acumular dinheiro. Este era utilizado para pagar seus "representantes" e seus objetivos, para conseguirem um local supostamente seguro para residirem, alimentação, roupas (que eram altamente inflacionadas por moda e propaganda, afinal tinham por objetivo atrair outros humanos) e, por fim mas não menos importante, ser gasto em formas de lazer para que se desestressassem de suas vidas, seus trabalhos. Estes lazeres incluiam usar drogas (seja as que eles se permitiam ou as que não se permitiam), praticar esportes ou o mais interessante de todos: Pagar para entrar em um local apertado, abafado e mal ventilado e, uma vez dentro deste local gastar uma quantia absurda para utilizar drogas enquanto dançavam ao som de músicas ensurdecedoras que atrapalhavam a comunicação com seus semelhantes, o real objetivo de estarem nestes locais.

Para os humanos daquela época era inconcebível estar "acima do peso". Peso este estabelecido por eles mesmos com base em ideais de difícil obtenção. Quanto mais alguém estivesse acima do peso mais a pessoa seria julgada, excluida e/ou ridicularizada. Aqueles que estivessem no peso "ideal" ou abaixo deste eram reverenciados. Isto acabou causando uns problemas para aqueles humanos: Anorexia e sua fiel companheira Bulimia. As pessoas deixavam de comer ou devolviam ao mundo o que comeram na esperança de emagrecer. Se formou hordas e hordas de seres esqueléticos que raramente conseguiam parar de pé e de seres que viviam a regurgitar o que comiam. Mas nem todos tinham distúrbios! Haviam os "normais" e "saudáveis" que gastavam seu dinheiro com academias (algo semelhante aos fornos de galeto, onde meros pedaços de carne ficavam em constante movimento apenas para ficar no ponto ou serem sempre vistos) nas quais passavam horas fazendo esforço, carregando pesos desnecessários, correndo ou pulando.

Havia a arte também. Ela era definida por dois métodos: - A sua popularidade ao aparecer o máximo de vezes possíveis em programas de televisão (uma caixa onde passavam imagens e as pessoas ficavam sentadas, com seus cérebros num estado de quase-coma, assisitindo e absorvendo tudo que era dito) ou tocar o máximo de vezes nas rádios (semelhante à televisão porém somente de sons e com capacidade menor de estagnação cerebral). Esta categoria geralmente era dedicada àquelas músicas com melodias simples, letras em geral obscenas ou pouco trabalhadas mas que "grudavam na cabeça". Ou: - Aquela arte que aqueles que se diziam "artistas" ou "pensadores da arte" permitiam que fosse categorizada com o nobilíssimo título de "Arte". Neste caso qualquer coisa poderia gerar expressões de espanto e admiração nas pessoas ou ser vendida a preços absurdos.

Alguns seres humanos não conseguiam desenvolver "apropriadamente" (que hoje sabemos que era muito aquém do apropriado) suas capacidades sociais, passando a maior parte de seu tempo na internet (uma rede gigante onde os humanos trocavam pornografia, mentiras e vírus) buscando alguém disposto a se relacionar com eles.

Como mencionei de vírus, explicarei. Aquelas pessoas desgostosas com o mundo decidiam desperdiçar seu intelecto e tempo criando formas de prejudicar o maior número possível de pessoas. Em algumas ocasiões estas pessoas criavam vírus específicos para destruir apenas alguma empresa.

Empresa era um grupo de pessoas que trabalhavam com o mesmo objetivo claro, dominar o mundo através do dinheiro. As empresas compravam umas às outras com o objetivo de aumentar seu poderio para, assim, se aproximarem da conquista mundial.

Existiam também os "famosos". Um grupo de pessoas que, no geral, tinham como objetivo entreter (leia "distrair") a grande maioria da população. Para conseguir tal objetivo eles atuavam em filmes, tocavam músicas, entre outras modalidades. Lhes era paga uma quantia absurda e lhes era cobrado uma inexistência de privacidade. De fato, a real forma de entretenimento era na exploração da falta de privacidade destas pessoas, uma vez que os filmes ou as músicas em muito deixavam a desejar.

As pessoas daquela época conviviam, também, com seus próprios resíduos desagradáveis como lixo ou excrementos. O lixo era levado em caminhões para partes mais isoladas (leia-se "pobres") da cidade onde era reciclado e devolvido para a população (por um preço, obviamente). Já os resíduos passavam (muits vezes a céu aberto) de um lado ao outro da cidade para formar uma espécie de rio onde se acumulava. Em alguns locais estes "rios" chegavam a ser pontos turísticos onde as pessoas iam para suas margens para tomar chimarrão, caminhar ou pegar um pouco de sol (leia-se "se exibir e ver o exibicionismo alheio"). Este depósito de excrementos era filtrado e, adivinhe!, devolvido à população (adivinhe com qual porém? Exatamente! Por um preço.)


Bom, acredito que este brevíssimo (nem metade foi citado) apanhado sobre a forma de vida daquela época já permite ao leitor entender o grande espanto de nossos protagonistas, os dois alunos.






Postado por Ricardo Ceratti.

2 comentários:

Jazon disse...

Cara!

Certo q tu pego um virus :P

Bom texto meu

Soh qria saber o q as pessoas fazem em 2082

Caio C. disse...

Que post graaaande, primo. :(

Vou ler depois, combinado?