segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Arriscar.

Eis que me deparo com um buraco em meu caminho.
Parei, analisei.
Concluí que não era um mero buraco.
Se tratava de um precipício.
Se eu escolhesse pular seria uma longa queda.
Hesitação.
Prós.
Contras.
De cara já percebi que existiam grandes chances de o final da queda não ser muito amigável.
Me machucaria muito.
Muito mesmo.
Mas não seria fatal.
Sentei-me à beira.
Enquanto a brisa soprava agradavelmente em meu rosto (adoro vento), eu analisava como a queda seria de cima a baixo.
Observei muitas belezas no percurso.
Coloridos raros que eu não encontraria em outros lugares.
Paisagens que eu precisava me aproximar para admirar.
Rapidamente eu já estava tentado a pular, queria viver aquelas maravilhas que, de onde eu analisava, me pareciam prometidas.
Mas, e o final?
E a dor?
"Não há certeza de que terminará. Ou que isso será doloroso", pensei.
E realmente, CERTEZA não existia. Só parecia provável. Talvez, por outras experiências, talvez pelo cálculo de probabilidades que eu havia feito.
Mas nem um, nem o outro eram realmente confiáveis. Se tratava de uma experiência nova. Se tratava de uma situações onde eu não possuia todos valores da equação.
"Dane-se! Eu vou pular!
Vou pular e vou apreciar o pulo.
Saborear a queda.
Curtir o que ela tem de bom. O vento, a paisagem, a emoção...
Vou tentar aproveitar ao máximo.
E vou me esforçar para que não tenha fim.
E se tiver de acabar, me esforçarei para amenizar a dor que possa surgir.
Qual a graça em não se arriscar?"
Nas palavras da personagem Betty Rohmer:
"It's not the fallin', it's the jumpin'." (Algo como [a graça] não é a queda, é o pulo)

E eu pulei. Com convicção.




Postado por Ricardo Ceratti.