Antes de
mais nada eu gostaria de esclarecer uma coisa.
Meu ponto de vista sobre generalizações me
parece ser um tanto diferente da forma a qual a maioria das pessoas entende.
Não importa qual seja a característica
abordada, ou a população em questão, eu acho que na imensa maioria dos casos é
simplesmente impossível conhecer cada indivíduo que é parte do grupo referido. Logo,
assumir que uma generalização é uma afirmação verdadeira se referindo a TODOS,
ou é uma falta de caráter de quem fala, ou interpretação distorcida de quem
escuta.
Como eu nunca me propus a sequer refletir sobre
o tema, não tenho a menor ideia de qual dos dois é a causa do problema. Ou
talvez seja dividido por ambos. Mas eu prefiro acreditar que mal entendidos são
mais comuns do que pessoas sem caráter.
No caso das minhas generalizações eu meramente
me refiro ao fato de que com base estatística do que pude observar, concluo que
uma grande parcela é tal coisa. Ou que tal coisa é um traço que meu cálculo me
faz achar recorrente ou mais frequente na população em questão. Certamente não
tenho como saber como todos são, mas posso fazer estimativas com base na
pequena população que pude observar. Posso muito bem, e muito provavelmente,
estar errado, só não é o que me parece até o momento.
Entendido? Pois que isto sirva daqui pra
frente.
Vamos ao assunto do qual quero falar.
Portugueses e Brasileiros.
Aqueles que me conhecem sabem que a mentalidade
típica brasileira foi um dos motivos que me motivaram a sair do país. Obviamente
não o principal, pois segurança está no topo da lista com uma margem enorme dos
outros colocados.
Aqueles que me conhecem bem sabem que desde que
saí do país evito contato com os conterrâneos. Não fujo como o diabo foge da
cruz, mas evito, e bastante. Ocorreram várias ocasiões que tive contato e me
aproximei, em maior ou menor grau, de outros Brasileiros e, colocando na ponta
do lápis, o comportamento da maioria serviu para reforçar e justificar minha
decisão de afastamento.
Agora, quanto a Portugueses, foram circunstâncias
da vida mesmo, só tendo conhecido três até ter me mudado para a Suíça - que,
pelo que pude perceber, logo virará colônia de Portugal, se considerar a
porcentagem de Portugueses que moram aqui. Porém no meu atual emprego não
poderia evitá-los nem se eu quisesse. E neste convívio comecei a perceber uma
prevalência de mentalidades que sempre me incomodaram nos Brasileiros.
Inveja depreciativa: Uma necessidade constante
de ficar cuidando a vida alheia e verbalizar qualquer comentário para reduzir
de alguma forma as conquistas alheias. Se alguém tem um carro bom, "deve
ser roubado", se ganhou uma promoção, "deve ter transado com o chefe",
etc.
Estas mentalidade é explicado pelo que eu chamo
de "deméritocracia": nenhuma conquista é mérito da pessoa, nada é
fruto de esforço, inteligência, sacrifício pessoal, renúncias em prol de um
objetivo financeiro. Não, nada disso! Sempre é por algum atalho mal-visto,
apesar de geralmente não existir prova alguma disso.
Mas este mecanismo não é gratuito: ele existe
meramente com um dos lados da moeda. O outro é a "acomodação messiânica":
Trata-se de nunca, jamais, em hipótese alguma, fazer algo para melhorar a própria
vida. Tudo deve ou cair do céu, ou vir por meio de um atalho que há de ser
encontrado. Fica mais fácil entender assim, não concordam? Como achar que alguém
conquistou algo por mérito próprio se "mérito próprio" é uma expressão
completamente alienígena? O dito popular reza que "a maldade está nos
olhos de quem vê", mostrando que quem não tem maldade, não a enxerga. O
mesmo vale para o esforço: quem não cogita batalhar por nada não consegue
enxergar a possibilidade de que alguém o faça.
E como a vida não melhora, que hobby seria mais
prazeroso do que reclamar? Mas não é reclamar para chegar a alguma solução, ou
reclamar para reivindicar o que é justo. É reclamar por esporte mesmo. A
reclamação de mãos dadas com a inação.
E já que é para cuidar a vida alheia e
reclamar, por que não usar todos esse conteúdo para trocar figurinhas sobre a
vida alheia? Nada como fofocar, saber todo peido que a outra pessoa dá, e
especular sobre como cada peido foi dado.
Ainda mais se a pessoa deixa visível algum bem
material ou símbolo de status: O Santo Graal. Só existe valor aquele que
possuir tais objetos. O quanto de respeito uma pessoa merece pode ser
verificado no preço do relógio de marca que carrega no pulso, ou do carro de
luxo que dirige. Ou ainda o que estampa no peito esquerdo da camisa. O que
obviamente leva a uma desvalorização de todos os outros aspectos [a valor final
é o mesmo, muda apenas o peso que cada coisa atribuirá valor], como respeito,
inteligência, caráter, etc...
Por falar em caráter. Todas as pessoas são um
alvo em potencial de benefício para si. Todos são idiotas e nada como o seu
poder de malandragem para se mostrar mais sagaz e tirar o máximo de proveito.
Estas características em comum me fazem
concluir que o Brasileiro simplesmente aperfeiçoou todas as características
podres dos Portugueses.
E o mais incrível é o quanto de cegueira isso
gera. Nenhum dos dois é capaz de perceber que é justamente esta mentalidade e
comportamento o que lhes tira energia, tempo, capacidade intelectual, auto-gerenciamento,
capacidade de planejamento, aspiração ao auto-aperfeiçoamento, etc. necessários
para realmente crescer na vida - e assim não precisar mais ficar invejando e
difamando os outros.
É claro que ambos povos possuem muitas
qualidades, e muitas delas são presentes na grande maioria. Mas para mim,
particularmente, o que considero defeitos me causam mais desprazer do que o que
considero qualidades me causam prazer - de maneira geral.
Porém eu não tenho como saber se é unicamente
uma questão de nacionalidade, uma vez que eu não posso entender o que é dito
pela maioria das nacionalidades do mundo, e talvez as pessoas de língua materna
inglesa [menciono isso por Inglês ser a única outra língua que eu posso
entender suficientemente bem] sejam iguais, porém simplesmente mais discretas.
Ou talvez seja o extrato social com quem me relaciono. Ou talvez seja a idade.
Ou...inúmeras possibilidades! Uma opinião é meramente o cálculo do que é
experienciado, analisado sob a lente do é sabido, com os limites do que é
acreditado ser a totalidade de fatores.
Postado por Ricardo Ceratti.
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