segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Reflexão XX


Como somos engraçados.
Guiamos nossas atitudes, escolhemos nossos valores e alinhamos nossos pensamentos com base numa sociedade profundamente esquizofrênica, e depois achamos estranho adoecer.




Postado por Ricardo Ceratti.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A livre vida no curral

Achamos tão errado e cruel encarcerar animais (e é).
Engraçado que não nos damos conta de que encarceramos a nós mesmos. Encarceramos humanos. Em quantidades massivas.
E, por mais que acreditemos no contrário, nós como humanos não possuímos muito mais liberdade ou inteligência para mudar esta situação, do que os animais possam ter.
A diferença é que, no nosso caso, a coisa é racionalizada, convencemos a nós mesmos de que é por uma boa causa, de que é mais benéfico do que maléfico.
E assim vamos justificando tudo.
Em nome da segurança, da saúde, do progresso, da comodidade, do bom convívio com os semelhantes, etc.
Em nome de algum grande bem, abrimos mão de uma condição não-cárcere.
Nada contra.
Só acho que com o passar do tempo estas vantagens vão se enfraquecendo.
Vamos nos acostumando com sua ineficiência, e as aceitando como tal.
E, conforme aceitamos suas falhas, passamos a permitir que sejam pouco a pouco ainda mais ineficazes.
Com o tempo esquecemos do que abrimos mão pra começo de história.
E assim não nos incomodamos mais com o fato das vantagens não serem tão vantajosas assim, afinal, esquecemos que foi uma troca, que teve um preço.
Outro aspecto que diferencia os estilos de encarceramento está no fato de nos acharmos muito livres, uma vez que podemos escolher, até certo ponto, onde será nosso curral, ou como o tornaremos confortável.
Nos julgamos no controle, com escolha, por ser possível morar em locais que foram definidos para morarmos, pagando um valor que foi definido que deveria ser pago, de forma a terceirizar o confinamento.
Afinal, se quisermos que nosso "cercadinho" seja mais bonito, maior, mais aconchegante, de mais "status" (e esta, ao meu ver, é a maior bobagem já inventada), precisaremos ter mais gastos, custará mais dinheiro.
De onde vem o dinheiro?
Ao menos para a imensa maioria do gado...err... população, o dinheiro advém do trabalho. Quanto mais trabalha, mais dinheiro ganha. Quanto mais se estuda para trabalhar, mais dinheiro ganha. Quanto mais se compete por um emprego, mais dinheiro ganha.
E assim dedicamos grande parte de nosso tempo, de nossas ações, de nossas "escolhas", à esta outra forma de aprisionamento. Mais uma vez, obviamente, tudo muito livre.
Gastamos nossa energia, nossos pensamentos, nossa força de vontade, nesta corrida para ganhar dinheiro.
Corra para a inflação não te alcançar!
Com isto ficamos cansados, estressados, preguiçosos, sedentos por uma distração, por um pouco mais de conforto para compensar.
Como essa parte é resolvida?
Encontrando na mídia o alívio para nossas angústias e a distração para nossos dias estressantes.
A mesma mídia que nos ensina que pensar é ruim, nos convence de que "o que é bom é caro", e vice e versa.
Queremos conforto, não?
Pois que seja caro então!
Bem caro, de forma a precisarmos trabalhar ainda mais, ou acumularmos ainda menos.
Nos é dito que é preciso ser importante os olhos alheios.
Ensinam que esta importância surgirá quase magicamente assim que obtermos certo itens. Certos caros, muito caros, itens. Muito deles, completamente sem outra utilidade senão construtores de "status".
E nós gastamos.
E ficamos felizes.
Ou assim pensamos.
Tão felizes.
Estranho que não dura. Rapidamente aparece um vazio, uma tristeza, algo não está certo, algo não está bastando.
O que será que há de errado?
Não, não pense! Olhe este carrão novo, que lhe fará ser tão importante, tão feliz! Pense nele! Se esforce para consegui-lo! Dedique seu tempo, pensamentos, trabalho, dinheiro, para comprá-lo.
Mais uma vez, o vazio virá.
Assim como uma droga, nos sentimos obrigados a usar novamente quando bate a síndrome de abstinência.
E passamos a usar cada vez mais, nos tornamos usuários cada vez mais pesados, pois o efeito aliviante é cada vez menor.
E assim vão se passando os anos, e assim vai se passando nossas vidas em nosso curral, nos achando muito livres, servindo meramente de gado que gera trabalho para quem criou as regras.
Sou forçado a perguntar: O quão diferentes somos dos animais que encarceramos?




Postado por Ricardo Ceratti.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Link de um excelente texto sobre mídia

Me deparei com este texto, e preciso dizer: É tudo que eu estou há anos tentando explicar e demonstrar para as pessoas, sempre sem sucesso.
Digo de antemão que concordo com 100% do que é dito. Dou os parabéns para o autor.
Então, lá vai. Sugestão de leitura (de mente aberta, de preferência):

http://www.highexistence.com/why-you-should-avoid-the-news/




Indicado por Ricardo Ceratti.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Pensando

Eu penso demais.
Assim mesmo.
Não é aquela coisa de "na hora de tomar uma decisão, pensa demais e acaba indeciso" ou algo assim.
Isso também.
Mas não é disso que falo.
É de pensar. O. Tempo. Todo.
Estamos acostumados com a idéia de que aquela voz interna é pensar.
Não é.
Pensar é ponderar sobre algum assunto, refletir, analisar dados, levantar e testar hipóteses, chegar a conclusões, refazer conclusões, etc.
O "pensar" que falo aqui é uma atitude ativa, uma ação. Não é um mero processo vegetativo como respirar ou cantarolar aquela música maldita que não sai da cabeça. É algo que exige da mente, algo que cansa.
Este pensar, que é quase como ler, malhar, conversar. Tão ação quanto.
Então, eu penso este "pensar" demais.
O tempo todo.
Consegui o cúmulo do absurdo de ficar pensando em sonhos. Até dormindo!
Antes de mais nada quero esclarecer que não estou me gabando de nada. Não acho pensar o tempo todo algo necessariamente bom. Tampouco necessariamente ruim. Tem prós e contras, talvez seja neutro.
Por um lado é bem legal entender as coisas, fazer conexões, deduzir motivos ou o que acontecerá, até mesmo passar a enxergar coisas novas.
Não me leve a mal. É BEM legal isso. Não viveria sem.
Mas, por outro lado, é extremamente cansativo.
Afinal de contas, não é possível estar só pensando. Em algum momento, talvez. O tempo todo, jamais!
Em nenhuma idade, em nenhum tempo, em nenhuma civilização, em nenhuma classe social. Não creio que exista condições onde a pessoa possa se dedicar somente a pensar.
O que acontece é fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo.
Fácil de fazer enquanto comemos algo, vamos ao banheiro, tomamos um banho. Fácil também ao se fazer uma tarefa mecânica, apesar de já começar a complicar.
E o que acontece quando se precisa realizar uma tarefa que exija pensar SOBRE a tarefa?
Divide-se a cabeça, digamos assim. Acaba pensando sobre duas coisas ao mesmo tempo.
Aaaaah, mas nunca estou pensando somente sobre uma coisa.
Dois, três, quatro assuntos seria o normal. Alguns dias a curiosidade chega para jogar mais lenha na fogueira. Outros dias algum problema se impõe exigindo uma solução. Ou dois problemas. Três, quem sabe?
Esta multi-tarefa acaba acelerando a mente para dar conta, e aí começa o desgaste, o cansaço.
Alguns temas começam a ocupar muito espaço, e acabo forçado a fazer como se estivesse no Windows: preciso fechar uns programas, umas janelas, umas abas para dar conta.
O problema é que nem sempre existem pensamentos pouco relevante para serem descartados.
Algumas vezes os pensamentos são mais relevantes que outros processos.
E aí começa a complicar na vida "de fora".
Vou fechar a socialização, pois isto demanda muita energia e atenção.
As pessoas não entendem isso. Ou entendem muito errado.
Começam a perguntar se estou triste, se estou irritado, se fizeram algo, a se magoarem comigo por não querer conversar ou brincar, começam a insistir. E aí a idéia de fechar a socialização, como forma de economia, se perdeu, pois aí o gasto é em dobro para me explicar. E às vezes nem "convenço".
Vamos fechar então, a audição. Ah, quase tão problemático quanto. Alguém pode falar comigo, um carro pode buzinar para mim, ou posso perder qualquer outro som que ao qual eu deveria estar atento.
Visão então nem se fala.
Começa a ficar complicado escolher que processos descartar ou, ao menos, minimizar.
Sobrecarrega.
Fico, então, com vontade de descartar todos os pensamentos, por mais que esteja gostando deles, progredindo neles, ou chegando próximo de soluções.
Não dá. Simples assim.
E é aí que chega a parte que eu digo que isto pode ser uma maldição.
Não é nada legal ficar esgotado, não conseguir interagir com as pessoas, quase ser atropelado, não tomar uma atitude, não correr atrás de algo.
Por muito tempo busquei um "remédio" para isto.
Tentar controlar, forçar me distrair com coisas externas, ingerir bebidas alcoólicas mais do que deveria, tentar levar tudo com idiotice, não dar bola para nada, relevar tudo.
Nada funciona.
Algumas coisas até dão um pouco de resultado. Pequeno, temporário, e trazendo outros prejuízos que não me agradam.
Concluí que é uma sina.
Nem boa, nem ruim.
Boa e ruim.
Que é algo que eu preciso aprender a reduzir o quanto penso em certas ocasiões, a tentar minimizar danos, a buscar ambientes e pessoas que sejam compatíveis com esta maneira de ser. Bem como aprender a aproveitar para maximizar sua efetividade, reduzindo devaneios e sendo mais conclusivo (quem sabe, chegando a mais conclusões, um dia a quantidade de assuntos diminua?).
É aprender a lidar.
E torcer que as pessoas que eu gosto aprendam a lidar comigo. Se assim tiverem vontade (concordo que é mais fácil desistir de mim).




Postado por Ricardo Ceratti.