quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Razão de Emo.

Qual a razão que leva uma pessoa a se tornar emo? Existe utilidade?
Muito pensam que não passa de bixisse, querer aparecer ou falta do que fazer. Não discordo que sejam razões válidas mas, andei pensando e me indaguei se ser emo não seja uma forma de proteção, um mecanismo de defesa e sobrevivência.
Cada vez mais os seres humanos encontram-se afastados de outros seres humanos. Emocionalmente é claro, já que fisicamente as cidades nunca estiveram tão cheias. Solidão, carência, ansiedade por não saber com se portar ou interagir com outros, desamparo... estão entre os sofrimentos mais comuns da atualidade. E como essas coisas incomodam. A venda de anti-depressivos está nas alturas. Anti-ansiolítico (para ansiedade) não fica muito atrás, se é que fica atrás. Cada vez mais as pessoas sofrem com este afastamento de outras pessoas. Cada vez mais as pessoas se sentem impossibilitadas de saírem desta situação por não saber se portar, por não saber interagir, por acharem que serão ridículas se forem tentar se aproximar de outras pessoas.
Solução? FESTA! A solução é "eu sou de ninguém. eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também". É, já vimos que isto não funciona né? Ficar com meia festa e voltar sozinho para casa não preenche aquele vazio.
Beber? Fumar? Remédios? Boa! Solucionar com vício! Muito inteligente que é tapar o buraco com uma peneira.
Então... INTERNET! Isso! A internet vai nos salvar a todos! Chats, orkut.... Pode até ser que em raros casos funcione mas eu vejo que no geral se cria apenas uma relação de uso que, justamente por ser superficial, não dura muito.
Qual a solução? Sinceramente não sei mas eu acredito que a resposta está nos idosos. Serinho. Pra eles não existe mais essa de inibição, "o que vão pensar de mim", ou fazer papel de ridículo. Eles fazem e ponto final. 1x0 pra terceira idade na minha opinião!
Voltando ao assunto. Como funcionam os emos neste caso? Pessoas se vestem de maneira semelhante e tem atitudes semelhantes (coisa que eu duvido que todos vistam e façam por realmente gostar) se unem. Ao se encontrar se abraçam, conversam, fazem coisas juntos. Muitas vezes mesmo sem se conhecer. Já viram os bandos imensos que formam? Eu duvido que todo se conheçam ali.
O que acontece então? Estas pessoas podem ter encontrado um jeito (não dos melhores na minha sincera opinião) de superar a timidez e ansiedade de se relacionar com estranhos, assim como um jeito (mesmo que paleativo) de aliviar a carência. Ora, se alguém se veste como emo e age como emo é aceito e bem vindo pelos emos... fica fácil não? Como eu disse antes, talvez nem todos sejam desejantes de ter tais comportamentos ou se vestir de determinada maneira, porém foi o melhor (ou único) jeito encontrado para satisfazer um pouco de suas necessidades afetivas apesar de suas dificuldades relacionais.
Não estou defendendo que estejam certo, apenas tentando entender a razão de se comportarem assim. Talvez emos sejam apenas um indício (o mais visivel possível) de que precisamos tomar alguma atitude contra este crescente individualismo. Ou talvez seja a primeira atitude de certa forma saudável de lidar com a situação, afinal de contas é melhor se juntar a um grupo cuja unica função seja se juntar do que acabar em casa deprimido ou acabar com sua própria vida.



Postado por Ricardo Ceratti.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Brasil: País sem identidade.

Esta esses dias pensando em nossa nacionalidade como brasileiros. Não sei bem o motivo de ter lembrado disto mas fiquei me indagando com quem podemos nos identificar.
Qual nossa identidade? uma vez quando eu era bem jovem, vi um vitral de portugueses. Falei uma coisa tipo "malditos, nos exploraram" ao que minha mãe retrucou que também nos fizeram coisas boas e que somos decendentes deles também. Naquele momento, naquele exato momento eu pensei milhões de coisas para buscar uma identidade e percebi que não havia.
Nosso país foi uma colônia portuguesa. Estes escravizaram e dizimaram o povo indígena nativo da região. Para construir o país usaram mão de obra escrava de negros africanos também. Italianos vieram para cá (em massa no caso do Rio Grande do Sul) e se difundiram rapidamente entre a população (quem aqui não tem italiano nas gerações passadas da família?). Japoneses fundaram colonias e nos trouxeram avanços, especialmente na agricultura. Temos até o povo alemão e holandês em nossas terras!
Então. Quem você é? Com quem você se identifica? É colonizador? Nativo? Escravo? Ou o melhor! "Sou Europeu". Tem sim! Ah, se tem!
Na realidade a mistura é tão grande por aqui que provavelmente sejamos um pouco de cada, salvo excessão de povos que não se misturam muito por aqui. Temos africanos, portugueses, índios, africanos, etc na família. E a distância das descendências é curta, que somado a um certo descontentamento com o país, o fato de não termos um nacionalismo forte e uma falta de grandes feitos, nos aproxima ainda mais do passado não "Brasileiro".
A segregação é tanta que aqui no sul, por exemplo, a maioria se considera primeiramente gaúcho e em segundo lugar brasileiro. Ora! Eu mesmo detestei escrever "você" antes! Como eu mesmo sempre digo "É TU!!!". Vamos ampliar? Cariocas ainda acham que são a capital. Paulistas se acham os maiorais, chamando gaúchos de gays. Gaúchos por sua vez chamam os catarinenses de burros ou covardes. E por aí vai.
Quanto aqui dariam a vida voluntariamente para lutar pelo país? Engraçado de ver países muito menores e com menos condições que o nosso que, quando invadidos, a população forma milícias, faz revoltas e o diabo. Vocês imaginaria o Brasil sendo tomado e alguém movendo um músculo contra? Especialmente depois que o exército caisse. Acho bem brabo. Muito provavelmente lutariam pela sua cidade, estado no máximo. Pelo país inteiro acho que ninguém faria realmente questão.
Não tem identificação! A culpa é dos estrangeiros? Dos índios que não lutaram o bastante? Dos africanos que não foram fortes o bastante para resistir à escravatura? Sim, um pouco sim. Mas a grande culpa é nossa. É de agora. Diga-me, no que há para sentir orgulho se votamos nos corruptos? E é corrupção descarada. Falta de vergonha na cara total! E o que acontece com os corruptos? Nada na real. Hummm... mas nossas ruas são seguras, não? Pior que não! E a situação é basicamente a mesma: O mesmo poder instituído que dá força para a polícia, tira das mãos do cidadão a capacidade de se defender e dá para o bandido a impunidade que ele precisa para reforçar seu comportamento. É muito raro aconetcer algo realmente útil com quem comente o crime. Um dia na cadeia? Grande coisa. E a polícia raramente presta o serviço de forma adequada. Geralmente eles mais tratam mal o cidadão do que pegam bandidos. Impedir crimes então é quase uma piada. E o cidadão? Se se defende a altura de seus algozes, ou seja, armado, ele se dá mal. Daonde tirou a arma? Tem porte? Que fazia andando armado? Foi legítima defesa? E tudo isso... por quê? Só pelo fato de ter endereço certo! Perseguir bandidos que tem endereço certo e não são poderosos é facil né? Mostrar trabalho.
Então, sentiremos orgulho de nossa saúde pública! É... também não rola. SUS é uma idéia realmente boa. Sério. Assistência médica gratuíta para toda população. Seria bom se existissem condições para prestar este tipo de serviço né? Quem tem algum dinheiro apela para planos de saúde.
Educação então! Pegadinha né? Educação para todos. Novamente a idéia é boa, porém fora da realidade. Escolas públicas possuem uma imensa taxa de evasão. E não só de alunos! Conheço gente que estudou em escolas públicas e muito presenciei a pessoa chegando em casa 30minutos após ter saído. Motivo? Professor não veio. Professor foi embora. Oi? De nada adianta educação para todos sem ter educadores né? Ou ainda sem ter motivação para aprender. Hoje em dia é preciso um nível de educação imenso para conseguir os cargos que menos exigem (Exceto para presidência. Neste caso não precisa nem completar o ensino fundamental eouhaouheouah). Voltamos ao assunto do crime. Se precisa Ensino Fundamental e Médio para ser lixeiro, vivendo com uma miséria de dinheiro, enquanto não precisa "perder" tempo algum para ser assaltante e o "salário" pode até ser melhor. E os riscos? Riscos para quem tem uma expectativa de vida razoável é algo que nem é cogitado, mas, e para quem as condições são péssimas? Isso abre outra situação infeliz do nosso país. Moradia? Empregos? Saneamento básico? É... pois é.
Então. Não temos uma propaganda nacionalista. Não temos muito do que nos orgulhar (prova disso é o vandalismo em estátuas e monumentos). Temos muito do que nos envergonhar. Temos muitas leis inúteis que mais atrapalham do que ajudam. Temos muita corrupção. Não temos lá muito horizonte para olhar. Somos um país novo e de uma mistura de etnia. É de se entender nossa falta de identidade. Nossa falta de vergonha na cara ao votar. Nossa falta de motivação ao sentar de braços cruzados ao ver corrupção ou qualquer outra coisa errada. Nossa preguiça de tomar as ruas demandando uma situação melhor. É de se entender a vontade de muitos de sair do Brasil, o discurso de outros tantos de que "sou europeu". Chegamos a uma situação em que lutar não parace mais valer a pena e sim cada um por si tentar se salvar. Infelizmente. MESMO!

Desabafo por Ricardo Ceratti

Reformas no DS

Mais de três meses se passaram e não temos postado por aqui. Apesar de estarmos de férias e muitas vezes sofrendo deste temível mal que eu tenho tenho horror, o tédio, nada foi escrito, nada foi postado.

Muita coisa também mudou nesses ultimos tantos meses. Algumas coisas mudaram de forma drástica, algumas de forma permanente, algumas foram inesperadas, etc.

Então decidi que era hora de reformular o Drunken para que ele voltasse a ter alguma atividade.

Postarei aqui meus pensamentos, não me importando mais tanto com a elaboração do texto ou conclusão das idéias. Ao invés disso farei apenas um "brainstorm" e ficarei grato se alguma viva alma que por acaso passe por aqui desejar participar.

Bom final de férias para todos.


Postado por Ricardo Ceratti

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O risco é necessário à vida

A vida é um tanto surpreendente do ponto de vista humano. Humano é aquele que vive numa casa, trabalha pra obter dinheiro, obtém dinheiro pra sobreviver e manter a casa em pé; poucos saem desse ciclo. Os que saem da comodidade geralmente são aqueles vistos como loucos, inconseqüentes, impulsivos e, veja só, gênios.
Sair da sua comodidade já é um grande passo para o humano, imagine só se ele sai da comodidade e ainda adiciona risco a essa saída! É, esse realmente é louco varrido.
O mundo virtual realmente trouxe vários benefícios. Um deles é o de aproximar as pessoas, mesmo que mentalmente, seja lendo palavras, admirando fotos ou até repugnando determinadas características, que por ventura, não é do agrado de quem observa.
Há muito que agradecer aos inventores do computador, aos inventores dos sistemas operacionais e aos inventores dos sites e softwares responsáveis por aproximar estas pessoas. Aproximar não somente no âmbito virtual, mas também do real. Agradeço a esse pessoalzinho tão legal e criativo.

Pois bem! Agora pense numa pessoa que há muito nem conversava pelo MSN com uma pessoa. Pense que, aparentemente do nada, essa pessoa começa a sentir ‘coisas’ que nem pensava que um dia fosse sentir com uma força tão intensa e que essa força fosse capaz de tirá-lo do seu lugar cômodo e nada arriscado! Ele foi atrás daquilo que acreditava existir além das teclas do computador, do monitor 17 polegadas e dos emoticons engraçadinhos.

A palavra ‘ventura’ quer dizer acaso. Acaso nos remete a idéia de sorte. A sorte só existe se for adicionada a ela uma dose de risco, podendo levar a uma má-sorte ou boa-sorte. Dentro da minha visão –pouco- filosófica da vida, a existência humana não existe plenamente se à ela não for adicionada uma boa dose de risco. A vida não existe se a pessoa não sair de dentro do seu casulo quentinho e ir enfrentar as intempéries do mundo, que muitas vezes se mostra muito hostil.

Ir atrás do trabalho para se alimentar e manter a casa é vital à existência, porém existe algo que o ser humano ainda não conseguiu sobreviver nem adquirir apenas com dinheiro e trabalho; o amor.
A plenitude da pessoa só existe se ela encontrar alguém pra se dividir, seja qual for o tamanho da fatia de si que precisa ser dividida com a pessoa que você ama.
Sair do Rio Grande do Sul e ir arriscar a sorte em São Paulo é pouco perto do que o meu Eu é capaz de arriscar e alcançar pra se sentir merecedor dessa vida. Se é preciso ultrapassar adversidades, trabalhar duro, suportar a saudade de quem eu amo e regar todo dia a semente, isso será feito da melhor maneira pra que eu saiba e sinta que sou uma pessoa completa.

Giovanna, todas estas palavras são em tua homenagem, em homenagem ao nosso primeiro mês junto e a tudo que ainda teremos pra viver lado-a-lado.



(...)Diz quem é maior que o amor!?
Me abraça forte agora que é chegada a nossa horaVem, vamos além, vão dizer que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela...
Vai cair




Artigo carinhosamente escrito por Ivan Pielke.